O que define a quantidade de placas
Antes de chegar a qualquer número, é importante entender que quatro fatores principais determinam quantas placas solares são necessárias: o consumo de energia do imóvel, a irradiação solar da região, a potência de cada módulo e as perdas do sistema. Mudando qualquer um deles, o resultado muda. É por isso que a resposta honesta nunca é um número único, e sim um método de cálculo aplicado aos dados reais de cada caso.
Duas casas na mesma rua podem exigir quantidades diferentes de placas, porque o que pesa é o quanto cada uma consome e como é o telhado de cada uma. Assim, o cálculo é sempre feito caso a caso, e uma estimativa serve apenas como ponto de partida.
O papel do consumo na conta de luz
O primeiro dado do cálculo é o consumo em quilowatt-hora (kWh) que aparece na fatura de energia. Ele representa a meta que o sistema precisa cobrir. Quanto maior o consumo mensal, mais energia o conjunto de placas deve gerar e, em geral, mais módulos serão necessários.
O ideal é reunir o histórico dos últimos doze meses, porque o consumo costuma variar entre as estações. Com esses valores calcula-se o consumo médio mensal, que é a base de todo o dimensionamento. Uma casa que gasta 300 kWh por mês parte de uma necessidade bem menor do que outra que consome 800 kWh, e isso se reflete diretamente na quantidade de placas.
A potência do módulo
Cada placa solar tem uma potência nominal medida em watt-pico (Wp). Os módulos atuais costumam ter potências elevadas, na faixa de cerca de 550 Wp, embora existam outros valores no mercado. Quanto maior a potência de cada módulo, mais energia ele gera e menos unidades são necessárias para atingir a mesma potência total do sistema.
Por isso não faz sentido falar em número de placas sem saber qual módulo será usado. Um mesmo sistema de 5 kWp, por exemplo, exige mais placas se forem usados módulos de potência menor e menos placas se forem usados módulos de cerca de 550 Wp. A escolha do módulo é uma decisão de projeto que influência diretamente a contagem final.
Irradiação e HSP
A irradiação solar indica quanta energia do sol chega ao local ao longo do dia. Uma forma prática de expressá-la é o HSP, sigla para Horas de Sol Pleno, que representa quantas horas por dia, em média, a região recebe uma irradiação equivalente a 1000 watts por metro quadrado.
Quanto maior o HSP, mais cada módulo produz por dia e menos placas tendem a ser necessárias para a mesma meta de consumo. Boa parte de Mato Grosso do Sul, incluindo a região de Dourados, apresenta bons índices de irradiação, o que ajuda a aproveitar bem cada placa instalada. Regiões com HSP mais baixo precisariam de mais módulos para gerar a mesma quantidade de energia.
As perdas do sistema
Nenhum sistema fotovoltaico entrega em energia útil exatamente aquilo que os módulos captam. Há perdas ao longo do caminho: temperatura elevada dos módulos, cabeamento, conversão no inversor, sujeira sobre as placas, sombreamento parcial e a própria orientação e inclinação do telhado.
Essas perdas são consideradas no cálculo para não superestimar a geração. Um sistema com perdas maiores precisa de mais potência instalada, e portanto de mais placas, para entregar a mesma energia útil. Ignorar as perdas levaria a um sistema subdimensionado, que geraria menos do que o esperado.
Por que a área do telhado limita
Mesmo depois de calcular a potência ideal, a área do telhado pode impor um limite prático. Cada módulo ocupa cerca de dois metros quadrados, e não basta ter espaço: é preciso que ele tenha boa orientação, inclinação adequada e esteja livre de sombreamento em boa parte do dia.
Quando a área útil é menor do que o desejado, algumas saídas são possíveis, como usar módulos de maior potência para gerar mais em menos espaço, reorganizar o arranjo das placas ou ajustar a meta de geração. Por isso o número final de placas depende também de uma avaliação presencial do telhado, e não apenas do consumo.
Exemplo ilustrativo por faixa de consumo
A tabela a seguir mostra faixas aproximadas apenas para dar uma noção de porte. Ela considera módulos na faixa de cerca de 550 Wp e uma boa irradiação típica da região, mas os valores mudam conforme o HSP real, as perdas e o telhado de cada imóvel.
| Consumo médio mensal | Potência aproximada | Faixa aproximada de placas |
|---|---|---|
| Cerca de 200 kWh | Cerca de 1,5 a 2 kWp | Aproximadamente 3 a 4 placas |
| Cerca de 400 kWh | Cerca de 3 a 3,5 kWp | Aproximadamente 6 a 7 placas |
| Cerca de 600 kWh | Cerca de 4,5 a 5 kWp | Aproximadamente 8 a 10 placas |
| Cerca de 1000 kWh | Cerca de 7,5 a 8,5 kWp | Aproximadamente 14 a 16 placas |
Repare que a tabela trabalha sempre com faixas, e não com números fechados. Isso é proposital: qualquer valor exato só surge depois de aplicar a irradiação real, as perdas e as condições do telhado ao consumo específico do imóvel.
O caso residencial específico
As faixas acima são genéricas. No caso de uma residência específica, o cálculo se torna muito mais preciso quando se usam os dados reais: as faturas dos últimos doze meses, o HSP medido para a localidade, a potência exata do módulo escolhido e uma avaliação do telhado com orientação, inclinação e sombreamento.
Com esses dados, o número de placas deixa de ser uma faixa e passa a ser um valor definido em projeto. É essa diferença que separa uma estimativa rápida de um dimensionamento técnico, e é por isso que nenhuma tabela substitui a análise do seu imóvel.